Vitamina D e o risco de demência

Desengane-se, quem pensa que a vitamina D, ou colecalciferol, isolada há menos de 100 anos, só atua facilitando a absorção do cálcio e magnésio, ao nível da mucosa intestinal, sendo importante para a saúde dos ossos e dentes, e que as consequências de um aporte deficitário se traduzem, apenas, a nível esquelético, estando na origem de raquitismo na infância e de osteoporose ou osteomalacia na idade adulta.

A vitamina D3 (25 hidroxicolecalciferol), é formada no fígado a partir da ativação do colecalciferol proveniente de alimentos de origem animal “gordos”: manteiga, queijos, leite gordo e meio gordo, gema de ovo, peixes gordos – enguia (5000UI/100g), arenque (880UI/100g), cavala (700UI/100g), sardinha fresca e de conserva (320UI/100g) – para além, de entre outros, do campeão bem conhecido de todos, óleo de fígado de bacalhau com 10000UI/100g e que os mais velhos se lembram de tomar na infância no Inverno.

Na realidade, a vitamina D3, também pode ser sintetizada a partir do 7-8 dehidrocolesterol, por irradiação ultravioleta da pele. Bastam 18 cm2 de pele sem protetor solar e diretamente exposta aos raios solares – nunca através de um vidro – para formar 400UI, quantidade que se estima serem as necessidades dos mais jovens, mas não depois dos 25 anos e, sobretudo, de idosos.

Segundo um estudo publicado em Agosto de 2014, na Revista Neurology (revista oficial da Academia Americana de Neurologia), em que foram incluídos 1658 idosos não institucionalizados, livres de demência, doença cardiovascular e acidente vascular cerebral, a vitamina D pode prevenir disfunção cognitiva, demências e doença de Alzheimer.

Num follow-up de cerca de 6 anos, os autores constataram que 171 participantes no estudo, desenvolveram todas as formas de demência, incluindo 102 casos de doença de Alzheimer, e que os baixos níveis séricos de vitamina D3 estão associados a um risco aumentado em 51% de desenvolver estas patologias nos indivíduos deficitários (concentrações séricas entre 25nmol/L – 50 nmol/L) e que o aumento de risco é de 122% nos indivíduos severamente deficitários (concentrações <25 nmol/L).

Parece, portanto, que só a partir de níveis séricos de 50 nmol/L, é que os idosos estão mais protegidos de disfunção cognitiva e de todas as formas de demência, incluindo Alzheimer.

Estes factos levantam-nos várias questões:

– Quando dosear os níveis séricos de vitamina D?
– Como agir, junto da população idosa que, na sua maioria, não apanha sol e que, por questões de saúde, ou porque vive com poucos recursos financeiros, muitas vezes polimedicada e em situação de isolamento (no ACeS Porto Oriental 66.8% de idosos vivem sós e 33% vivem com outros idosos) não pode ou não se interessa por cozinhar e comer, consumindo, em quantidade insuficiente os alimentos mais ricos desta vitamina?
– Quais os cuidados a ter, quando se faz a suplementação, dado que, ao contrário das vitaminas hidrossolúveis que, uma vez em excesso, são excretadas pelo rim, as lipossolúveis são acumuladas a nível hepático e a sua sobredosagem causa problemas, nomeadamente, no caso da vitamina D, excesso de cálcio?

Leia aqui o estudo.

 

Filomena Styliano – filomena.reis@arsnorte.min-saude.pt

Nutricionista

 

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