Integração dos Nutricionistas no Serviço Nacional de Saúde em Portugal

Publicação na Acta Portuguesa de Nutrição 08 (2017) 16-21

Beatriz Ferreira; Tânia Cordeiro; Alexandra Bento – Nutricionistas

Introdução: O Serviço Nacional de Saúde é a estrutura do Estado português que assegura à população a prestação dos cuidados de saúde. Integradas nas Redes Nacionais de Cuidados de Saúde Primários e Cuidados de Saúde Hospitalares, as unidades que formam o Serviço Nacional de Saúde revelam-se locais privilegiados para a incorporação da prática profissional do nutricionista, pelo facto de a sua atuação se focar na promoção de saúde, na prevenção e no tratamento da doença, contribuindo para a reversão do cenário epidemiológico centrado na intensificação das doenças crónicas não transmissíveis e para o cumprimento das metas em saúde estabelecidas a nível nacional e internacional.

Objetivos: Determinar o número de nutricionistas a exercer no Serviço Nacional de Saúde nos Cuidados de Saúde Primários e nos Cuidados de Saúde Hospitalares. Calcular o número de utentes e de camas atribuído a cada nutricionista integrado nas unidades que compõem, respetivamente, as Redes Nacionais de Cuidados de Saúde Primários e Cuidados de Saúde Hospitalares.

Metodologia: Neste estudo descritivo obteve-se, por correio eletrónico e telefone, informação sobre o número de profissionais a exercer como “Dietista”, “Dietista estagiário”, “Nutricionista” e “Nutricionista estagiário”, de acordo com o Registo Nacional da Ordem dos Nutricionistas, nas instituições constituintes do Serviço Nacional de Saúde, Serviço de Saúde da Região Autónoma da Madeira e Serviço Regional de Saúde do Governo dos Açores. No final, a adequação dos rácios obtidos foi analisada com base em critérios emitidos pela Ordem dos Nutricionistas.

Resultados: Verificou-se um total de 416 nutricionistas a exercer no Serviço Nacional de Saúde, dos quais 123 profissionais pertenciam aos Cuidados de Saúde Primários e 293 aos Cuidados de Saúde Hospitalares. Nos Cuidados de Saúde Primários identificou-se um rácio de 86.006 utentes por nutricionista e nos Cuidados de Saúde Hospitalares o rácio estimado foi de 97 camas por nutricionista.

Conclusões: O número total de nutricionistas a exercer no Serviço Nacional de Saúde revelou-se manifestamente aquém do que se considera adequado, devendo-se reforçar a incorporação de nutricionistas no Serviço Nacional de Saúde.

Leia o artigo completo – Integração Nutricionistas SNS

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Oficinas Temáticas

Com o findar do ano completou-se o 1º ciclo do projecto “ Oficinas Temáticas – espaço de expressão e criatividade “, da terapia ocupacional.
A árvore, que foi de Natal, engalanou-se para receber a Páscoa. Daí aos
Santos Populares foi um saltinho pleno de actividades, imaginação e
desempenho ocupacional.
Chegado o Outono, e desta feita dentro de portas, o S.Martinho foi assinalado como manda a tradição : castanhas, provérbios e dizeres para estimular a cognição.
E assim foi, outra vez Natal, na terapia ocupacional.

Terapia Ocupacional e Estimulação Cognitiva

Sabemos, hoje em dia, que as alterações cognitivas constituem uma grande ameaça à qualidade de vida de todos aqueles que vão avançando na idade.

O relatório Processos de envelhecimento em Portugal (Villaverd Cabral et al., 2013), diz-nos que ver televisão (95,4%) e realizar tarefas domésticas (70,9%) constituem as atividades realizadas com mais frequência durante o tempo livre.

Em menos de metade da amostra considerada, surgem ler (48,2%), ouvir rádio (42,6%), tratar de um animal de estimação (40,5%) e passear (25,2%).

Com ainda menor representatividade, usar o computador, fazer palavras cruzadas ou quebra – cabeças e jogar jogos de mesa, em que 71,1%, 68,8% e 74,2%, respetivamente, nunca o fez.

Por seu lado, Tardif & Simard (2011) alertam para a necessidade de as atividades cognitivas fazerem parte integrante de um envelhecimento ativo, tal como a prática de atividade física e uma alimentação equilibrada, eixos fundamentais de um estilo de vida saudável.

Tendo em mente estes e outros dados que apontam no mesmo sentido, torna-se imperioso inverter este cenário.

O papel da terapia ocupacional nestes domínios é diverso, desafiador e estimulante. Os terapeutas ocupacionais abordam de forma holística os indivíduos, com enfoque exclusivo no uso terapêutico da ocupação. Avaliam as pessoas com o objetivo de determinarem as suas capacidades funcionais, cognitivas e de desempenho ocupacional. Assim, podem elaborar um programa de atividades terapêuticas adequado a cada indivíduo, ou grupo de indivíduos, respondendo às suas necessidades e contribuindo, dessa forma, para maior autonomia e independência, optimizando a qualidade de vida de cada um. Leia aqui a apresentação.

Intervenção em parceria – uma mais-valia!

A intervenção em grupos na comunidade já acompanhados por instituições, é uma mais-valia pela abrangência das temáticas abordadas e pela possibilidade de  melhorar a literacia da saúde da comunidade com conceitos de saúde alimentar especializados.

Uma das instituições parceiras na promoção da literacia alimentar é a CerPorto – Associação para o Desenvolvimento Comunitário do Cerco do Porto, que tem como missão promover iniciativas através de projetos ou atividades de intervenção junto de pessoas, famílias ou grupos em situação de pobreza ou exclusão, e que através da Unidade de Cuidados na Comunidade de Campanhã, dinamiza todos os anos projetos na área da saúde.

A Nutrição integrou o projeto deste ano com 2 sessões “Comer com Saber e com Sabor”: uma sessão com exploração dos conceitos “Alimentação equilibrada, completa e variada” e outra sessão com a confeção de um prato de peixe, fácil e económico. Desta forma o conhecimento aliado à prática concreta e objetiva permitiu melhorar a apetência por uma alimentação salutogénica.

Podemos ver em baixo algumas imagens da confeção e degustação da “Massa de Potas”.

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Eu e a Diabetes – abordagem da psicologia

No âmbito da comemoração do Dia Mundial da Saúde na URAP, o Núcleo de Psicologia dinamizou uma apresentação ver aqui cujo conteúdo incide sobre as diferentes temáticas que podem ser alvo de intervenção nos utentes com diagnóstico de diabetes, nomeadamente, como lidar eficazmente com a diabetes; dificuldades na adaptação à doença; gestão de stress e ansiedade; alterações de estilo de vida; promoção na adesão à medicação e aos cuidados de auto vigilância.